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Coleção

Annunaki

A maior coleção deste acervo é também a mais terrena, e não é coincidência. Os Anunnaki chegam pela poeira: zigurates emergindo de tempestades de areia, colossos de cajado erguido diante de multidões, discos de metal parados sobre pirâmides, escavações a céu aberto onde milhares carregam pedra sob a supervisão de figuras altas demais. Tudo aqui é ocre, âmbar, barro cozido — a cor do trabalho. O tema real do conjunto é o ouro, e o que ele significa. Nas tábuas sumérias, os Anunnaki descem para extrair o metal que salvaria a atmosfera do próprio planeta, e criam uma espécie trabalhadora para fazê-lo. A coleção encena essa passagem sem romantizá-la: as cenas de mineração e fundição são cenas de servidão, e as composições insistem em mostrar quem está de pé e quem está curvado. É a mitologia da origem contada como relação de poder — o mito fundador do trabalho, do salário e da dívida. Ainda assim, há grandeza. Os templos escalonados repetem a Montanha Cósmica que liga terra e céu, o mesmo eixo vertical do zigurate, da pirâmide e da árvore sefirótica. Saturno preside — senhor do tempo, da estrutura, da lei e do limite; o planeta que constrói impérios e cobra por eles. A tinta que atravessa o conjunto é a do metal solar, e a lição que essas imagens deixam é incômoda e permanente: aquilo que uma civilização considera precioso o suficiente para escravizar define, para sempre, o que ela é.

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