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Coleção

Atlantis

Atlântida é menos um lugar perdido do que uma ferida na memória coletiva, e esta coleção a trata assim. As torres de cristal se erguem sobre lagoas turquesa, os anéis concêntricos de água e terra reproduzem exatamente a planta que Platão descreveu no Crítias, e sobre tudo isso paira uma luz que já parece saber o que vai acontecer. O conjunto se organiza em torno de uma tese: a civilização atlante caiu por excesso de domínio, não por falta dele. As esferas contendo constelações inteiras, as estruturas de geometria dourada suspensas sobre altares, as salas de comando onde figuras humanas manipulam hologramas do planeta — todas essas imagens mostram uma tecnologia que se tornou indistinguível do sagrado e, por isso mesmo, perdeu qualquer contrapeso. Quando a mesma imagem mostra a praia deserta ao amanhecer, com o mar liso e as ruínas ausentes, o silêncio é ensurdecedor. Netuno rege este acervo — o planeta da dissolução, do sonho, do que se desmancha justamente por ser belo demais. E é por isso que as ruínas submersas, cobertas de verde e atravessadas por peixes, não provocam horror, mas uma espécie de calma. A água que destruiu é a mesma que preservou. A leitura iniciática de Atlântida nunca foi sobre o afundamento: é sobre o que uma cultura escolhe fazer com o poder no intervalo entre descobri-lo e não saber mais viver sem ele.

55 imagens