Coleção
Body Temple of the soul
O corpo, aqui, é arquitetura. Esta coleção desenha a figura humana sentada em meditação e a atravessa com redes de luz — filamentos dourados que sobem pela coluna, nós que se acendem em pontos precisos, malhas que se estendem para além da pele até dissolver o contorno no espaço ao redor. O mapa é reconhecível para qualquer tradição. A coluna de luz vertical é o sushumna dos tantras, o caduceu dos gregos, a árvore da vida da Cabala — sempre o mesmo eixo entre a base e o alto. Os pontos que brilham ao longo dele são os chakras, e a coleção tem o cuidado de mostrá-los não como órgãos, mas como concentrações de uma rede que já existia. É uma distinção importante: o corpo sutil não está dentro do corpo físico; o corpo físico é a região mais densa de um campo que continua. A escolha cromática sustenta a tese. O sépia e o dourado dominam — cores de manuscrito antigo, de anatomia renascentista, de algo estudado por muito tempo. O azul aparece quando o assunto é o silêncio; o vermelho e o laranja, quando é o despertar. E o gesto se repete em todas as peças: mãos abertas, olhos fechados, coluna reta. Não há esforço nessas figuras. Há disponibilidade. É a diferença entre conquistar um estado e permitir que ele aconteça — a lição mais difícil de qualquer via contemplativa, e a que estas imagens conseguem transmitir sem uma única palavra.
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