Coleção
Brain Interface
Dois cérebros, frente a frente, e entre eles um arco de luz. Esta coleção reduz a comunicação ao seu mínimo irredutível e descobre que, no fundo, ela sempre foi elétrica. As descargas que saltam de um hemisfério a outro são idênticas às que atravessam nuvens de tempestade — e é exatamente essa a comparação que as imagens querem que você faça. Cada peça coloca o órgão dentro do cosmos, não o cosmos dentro do órgão. Cérebros flutuam em nebulosas, se acendem em constelações, projetam filamentos que se confundem com braços de galáxia. A inversão é deliberada e antiga: é o "assim em cima, como embaixo" da Tábua de Esmeralda aplicado à neurologia. O que a coleção sugere é que a estrutura pensante e a estrutura do universo não se parecem por acaso — elas se parecem porque obedecem à mesma regra de ramificação, o mesmo algoritmo que distribui rios, raízes e relâmpagos. Mercúrio preside: o mensageiro, o que traduz, o que atravessa fronteiras sem pertencer a nenhum dos lados. Os perfis humanos desenhados em circuito dourado não são retratos de indivíduos, mas de canais. E há uma pergunta implícita em todo o conjunto, especialmente nas peças em que dois rostos se encaram unidos por um cordão de fogo: se pensar já é um fenômeno de campo, quanto do que chamamos de pensamento próprio é, na verdade, sintonia com algo que estava sendo transmitido.
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