Coleção
Brain Network
Esta coleção é uma investigação sobre uma única forma — a rede — e sobre o fato perturbador de que ela aparece em toda escala do universo. Neurônios se ramificam em nós luminosos; os mesmos nós, ampliados, viram aglomerados de galáxias ligados por filamentos de matéria escura. Sem legenda, é impossível dizer qual imagem é micro e qual é macro. A ambiguidade é o argumento. As peças abandonam o cérebro como objeto reconhecível e mergulham na textura pura da conexão: emaranhados de fios dourados sobre fundo negro, dendritos em coral e turquesa se abrindo como recifes, esferas cobertas de malha suspensas em grades de luz. É abstração, mas abstração com fundamento — a topologia dessas imagens é a mesma que rege a propagação de sinal, de doença, de rumor e de energia. O que emerge é uma cosmovisão. Se a rede é o padrão fundamental, então nada é isolado por natureza; o isolamento é sempre um estado artificial, mantido por esforço. É a intuição que atravessa a doutrina do universo holográfico, o campo akáshico, a alma do mundo dos neoplatônicos — cada ponto contendo o todo, cada conexão redistribuindo a informação inteira. Urano e Aquário governam este território: a inteligência coletiva, o pensamento em enxame, a consciência que deixa de ser individual não por perder o eu, mas por descobrir tarde demais que ele nunca esteve sozinho.
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