Coleção
Brain Waves
Se a coleção anterior estuda a rede, esta estuda o que corre por ela. As ondas cerebrais aparecem como filamentos brancos que se abrem em leque, árvores de nervo crescendo de um tronco único, pulsos de luz que atravessam malhas e as fazem vibrar em resposta. A escolha de tratar o neurônio como vegetal é o achado formal do conjunto. Aquelas estruturas pálidas e ramificadas são simultaneamente axônios e raízes, sinapses e galhos — e a repetição dessa forma faz o espectador aceitar, sem argumento, que o pensamento cresce como planta: lentamente, por bifurcação, buscando luz. Quando a coleção arrisca o figurativo, na mulher cujos cabelos se tornam correntes de energia colorida, o que se afirma é que a fronteira entre ter uma ideia e ser atravessado por ela nunca foi nítida. O tema profundo é a frequência. Cada estado de consciência — vigília, sonho, transe, meditação profunda — corresponde a uma faixa de oscilação mensurável, e a tradição esotérica sempre soube disso com outro vocabulário: os planos, os corpos sutis, os níveis de sono do ocultismo. As paletas mudam conforme a faixa: o dourado quente da atenção desperta, o azul frio do sono profundo, o rosa e o violeta dos estados limiares onde a imagem se confunde com a percepção. Netuno e a Lua regem essas artes — o domínio do que é real sem ser sólido, e que ainda assim decide, todos os dias, aquilo que conseguimos ver.
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