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Coleção

dance of chaos and order

Oito peças bastam para dizer tudo. Esta coleção coloca a espiral no centro e mostra, repetidamente, o mesmo gesto: duas forças que se enroscam sem se anular, uma puxando para a dispersão, outra para a forma. A composição é sempre binária. De um lado, a massa quente — vermelhos, laranjas, a tinta jogada, o fogo que consome contorno. Do outro, a massa fria — azuis e verdes girando em ordem, disciplinados em curva. E no ponto onde as duas se encontram, a coleção nunca resolve o conflito: mantém a tensão viva, porque é dela que nasce a forma. É a mesma inteligência do yin e yang, do Ain Soph que precisa se contrair para criar, do princípio hermético da polaridade — nada existe sem seu oposto ativo. Duas peças fecham o argumento e o elevam. A explosão de mosaicos coloridos, com seus círculos concêntricos amontoados, mostra o caos como excesso de padrão em vez de ausência dele. E o ovo dourado cercado de geometria sagrada, suspenso sobre a curvatura de um planeta, entrega o desfecho: a ordem não vence o caos, ela o encapsula. Toda criação é uma turbulência que aceitou uma casca. Contemplar esta coleção é entender por que as galáxias, os furacões, as conchas e as impressões digitais insistem na mesma curva — porque a espiral é a única forma que consegue crescer sem trair sua origem.

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